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O que é gestão de frotas e como ela funciona na prática?

Foto do escritor: Suelen Alves Fernandes
Suelen Alves Fernandes
23 de out.
9 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Gestão de frotas é o conjunto de atividades que uma empresa realiza para planejar, registrar, acompanhar e melhorar o uso dos veículos da sua operação. Isso inclui saber quanto cada veículo custa, como é abastecido e mantido, quanto rodou e quando vale renová-lo ou reduzir a frota.


O tema interessa a qualquer empresa que dependa de carros, motos, vans, utilitários ou caminhões para trabalhar. Sem registros organizados, o gasto com frota pode aparecer apenas como um total no fim do mês, sem que saiba qual veículo, motorista, ou rota o gerou.


Como ler este artigo: as referências vêm de fontes públicas, como o Departamento de Energia dos EUA (DOE), o laboratório NREL, o orgão de auditoria GAO (EUA) e a ANTT.

Parte delas trata de frotas do governo americano, então funcionam como boas práticas, não como obrigação para empresas brasileiras. Os valores dos exemplos são hipotéticos e servem só para mostrar os cálculos. As fontes estão linkadas ao longo do texto.


O que é gestão de frotas?


Neste artigo, usamos uma definição de trabalho com cinco frentes:


  • Inventário e documentação: quais veículos tem, quem os usa e se estão regularizados.

  • Abastecimento e consumo: quanto combustível cada veículo recebe e quanto rende.

  • Custos: quanto cada veículo custa por mês, por quilômetro e ao longo da vida útil.

  • Manutenção: o que foi feito, o que está programado e o que deixou o veículo parado.

  • Uso e dimensionamento: se os veículos são necessários, estão bem distribuídos e quando devem ser trocados.


Saber quantos veículos a empresa possui é apenas inventário. A gestão começa quando os dados são comparados e usados em decisões: trocar um veículo que gasta mais com oficina do que compensa, redistribuir um carro pouco usado ou investigar um consumo fora do padrão.


Essa estrutura dialoga com um levantamento de 2023 do GAO, orgão de auditoria do Congresso dos EUA. Ouvindo especialistas, ele identificou três práticas líderes: manter um sistema de infomações de gestão de frota (FMIS, na sigla em inglês), analisar o custo do ciclo de vida dos veículos e ajustar o tamanho e a composição da frota. Já o Programa Federal de Gestão de Energia dos EUA (FEMP, ligado ao DOE) destaca que coletar dados de qualidade é essencial para gerir bem uma frota.


Como funciona a gestão de frotas na prática?


Na rotina, o processo segue um ciclo: registrar os dados, transforma-los em indicadores, comparar veículos e períodos, decidir e conferir o efeito da decisão.


Controle de abastecimento e consumo de combustível


Cada abastecimento é registrado com data , veículo, motorista, quilometragem do odômetro, litros, valor, combustível e local. Com quilometragem e litros, calcula-se o consumo médio de cada veículo. O NREL, laborátório de energia ligado ao DOE, cita o rigistro do odômetro no momento do abastecimento e a telemática como formas de obter a quilometragem.


Exemplo: Em uma empresa de serviços com quatro vans, uma delas faz trajetos parecidos com os das outras, mas consome mais por quilômetro. O número não prova a causa (pneus, mecânica, forma de dirigir ou erro de registro), mas mostra onde investigar.


Acompanhamento dos custos da frota


Custos diretos incluem combustível, manutenção e depreciação (perda de valor do veículo). Os indiretos, como o tempo de pessoas dedicadas à frota e instalações, são mais difíceis de ratear. O GAO observou que os dados de custo, sobretudo os indiretos, eram os que mais faltavam nos sistemas dos orgãos analisados.


Acompanhar custos por veículos permite avaliar o ciclo de vida, isto é, o custo de comprar, operar e vender o veículo. Três especialistas ouvidos pelo GAO indicaram que um veículo próprio deve ser substituído por volta do momento em que os custos de operação, principalmente manutenção e reparos, começam a superar seu valor de revenda. Quem está começando pode registrar primeiro os custos diretos.


Manutenção preventiva e corretiva


A manutenção preventiva é planejada antes da falha, por tempo ou quilometragem, conforme o manual do fabricante. A corretiva ocorre depois que o problema aparece. Registrar data, quilometragem, serviço, custo, oficina e dias parados mostra quais veículos MAIS dependem de corretivas.


O NREL, citando orientações da agência de serviços gerais dos EUA (GSA), inclui em programas preventivos itens como regulagem do motor, calibragem dos pneus, troca de filtros de ar e uso de óleo recomendado. Pneus abaixo da pressão indicada aumentam a resistência ao rolamento, reduzem a economia de combustível e se desgastam mais rápido. A telemática também pode apoiar a manutenção, ao criar cronogramas preventivos e sinalizar códigos de falha.


Organização e utilização dos veículos


Segundo o NREL, a utilização pode ser medida em quilômetros, horas em serviço ou número de viagens, e veículos muito abaixo da média de outros com a mesma função devem ser examinados. O documento também observa que um veículo atribuído a um único motorista fica parado em férias a afastamentos, e que o compartilhamento (pool de veículos) tende a melhorar a utilização.


Exemplo: dois carros de apoio usados poucos dias por semana podem ser candidatos a compartilhamento. Os dados apontam a pergunta; a decisão depende da operação.


Acompanhamento de indicadores de desempenho


Indicadores resumem tudo isso em números comparáveis, como consumo médio e custos por quilômetro. Eles estão detalhados mais adiante, com fórmulas e premissas.



Quais empresas precisam de gestão de frotas?


Precisam de algum nível de gestão as empresas em que o veículo faz parte da entrega do serviço ou da venda:


  • Transportadoras: o veículo é o meio de produção e o custo por quilômetro influencia preço e margem.

  • Distribuidoras e atacadistas: entregas recorrentes tornam rotas e consumo relevantes.

  • Empresas de serviços: equipes técnicas em campo dependem de veículos disponíveis.

  • Construtoras: veículos de apoio circulam entre obras, fornecedores e escritório.

  • Negócios com equipes externas: vendedores, representantes e promotores usam carros ou motos.


O tamanho da frota não define a necessidade. Mesmo com poucos veículos, combustível, manutenção e documentação são despesas recorrentes, e sem registro não há como saber se o gasto está normal. O que muda com o tamanho é a ferramenta e o nível de detalhe: o próprio guia do NREL recomenda escolher estratégias conforme as características de cada local, incluindo o tamanho da frota.


Quais são os principais custos de uma frota?


Os custos costumam ser divididos em fixos, que existem mesmo com o veículo parado, e variáveis, que crescem com a quilometragem. A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) usa essa lógica no piso mínimo de frete. Em apresentação de 2024, listou como fixos a depreciação e a remuneração do capital do veículo e do implemento, e como variáveis o combustível, a manutenção e os pneus com recauchutagem. O modelo é específico para frete rodoviário de cargas e a metodologia estava em revisão à época, então aqui serve apenas como referência de categorias.


  • Combustível: cresce com a quilometragem e depende do consumo de cada veículo.

  • Manutenção: revisões, peças, mão de obra e reparos; varia com o uso, idade e qualidade da manutenção preventiva.

  • Pneus: compra, calibragem, rodízio e, quando aplicável recapagem.

  • Seguros: apólice do veículo e, em alguns casos, da carga; costuma ser um valor periódico definido em contrato.

  • Documentação: licenciamento anual, IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e taxas. No exemplo de Minas Gerais, o CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo) é o documento anual que comprova que o veículo pode circular, e sua emissão exige IPVA, taxa de licenciamento e multas quitados. Regras e prazos variam por estado.

  • Depreciação: perda de valor ao longo do tempo; não sai do caixa todo mês mas compõe o custo real.


O peso de cada categoria varia conforme tipo de veículo, quilometragem, idade e forma de operação (frota própria ou alugada, por exemplo). Por isso, use os dados da sua própria operação.


Quais indicadores devem ser acompanhados na gestão de frotas?


Indicador é um número que resume o desempenho de algo. Compare veículos semelhantes em períodos equivalentes e registre as premissas de cada cálculo.


Consumo médio de combustível (km/l)


Consumo médio (km/l) = quilômetros rodados ÷ litros abastecidos


Premissa: use abastecimentos consecutivos com tamque cheio. O FuelEconomy.gov, site de DOE e da EPA (agência ambiental dos EUA), orienta usar ao menos dois registros consecutivos em que o tanque é completo. O site usa milhas por galão; aqui adaptamos para km/l.


Exemplo: o odômetro marcava 45.200 km no primeiro abastecimento e 45.760 km no segundo, que exigiu 62 litros para completar o tanque. Foram 560 km, então 560/62 = 9,03 km/l.


Um valor isolado diz pouco. Acompanhe a tendência de cada veículo e compare com semelhantes. Queda persistente pede investigação: pode envolver pneus, mecânica, rota, forma de dirigir ou erro de registro.


Gasto com combustível por veículo


É a soma dos valores abastecidos por veículo no período. Para comparar veículos diferentes, use custo de combustível por km = gasto com combustível / km rodados.


Exemplo: 62 litros a R$ 6,00 somam R$ 372,00; divididos por 560 km, dão cerca de R$ 0,66 por km. Como o preço do litro varia, acompanhe também o consumo em km/l. O NREL mostra que melhorar a eficiência dos veículos menos econômicos tende a render mais economia de combustível, o que ajuda a definir por onde começar.


Custo por quilômetro rodado


Custo por km = custos incluídos no período / km rodados no período


Defina as premissas: período (um mês, por exemplo), quais custos entram, como ratear gastos anuais (IPVA e seguro) e se depreciação, motorista e custos indiretos estão incluídos.


Exemplo: um veículo rodou 4.000 km no mês, com combustível de R$ 2.400, manutenção de R$ 600, pneus de R$ 300, seguro rateado de R$ 450, licenciamento e IPVA rateados de R$ 200 e depreciação estimada em R$ 800. O total de R$ 4.750 dividido por 4.000 km dá cerca de R$ 1,19 por km. Sem a depreciação, o total seria R$ 3.950 e o custo cairia para cerca de R$ 0,99 por km. A diferença mostra por que só se deve comparar números calculados com as mesmas premissas.


Custos de manutenção


Some o gasto com manutenção por veículo e calcule manutenção por km = custo de manutenção ÷ km rodados (no exemplo, R$ 600 ÷ 4.000 km = R$ 0,15 por km). Acompanhe também a proporção entre preventivas e corretivas e a evolução do custo com a idade do veículo.


Disponibilidade dos veículos


Disponibilidade (%) = (dias programados − dias parados) ÷ dias programados × 100

Defina o que conta como parado (manutenção, falta de peça, documentação irregular, sinistro) e o calendário de operação.

Exemplo: em um mês com 22 dias programados e 2 dias parados na oficina, (22 − 2) ÷ 22 ≈ 90,9%. O NREL inclui o tempo parado entre as métricas de utilização; esta é uma forma usual de calcular e pode variar entre empresas.


Planilha ou sistemas de frotas: quais são as diferenças?


Planilha pode atender quando há poucos veículos, uma pessoa responsável pelo preenchimento e necessidades de relatórios simples. Tem custo baixo e é flexível, mas depende de digitação manual, está sujeita a erros e a versões diferentes do arquivo e dificulta cruzar abastecimentos, manutenção e financeiro.


Sistema ajuda quando cresce o número de veículos, motoristas e pontos de abastecimento, ou quando conferir dados manualmente consome muito tempo.

Centraliza registros, padroniza informações e gera relatórios e alertas.


No levantamento do GAO, gestores relatam que reconciliar recibos ou usar registros em papel dificulta análises em tempo real hábil, e especialistas destacaram a coleta automatizada de dados, que também reduz horas de trabalho. Segundo funcionários da GSA, integrar o sistema de frota ao financeiro melhora a precisão e evita digitação duplicada.


Sistema não substitui processo: sem rotina de registro e análise, gera relatórios sem valor.

Nem toda empresa precisa necessariamente de software; a decisão deve considerar volume de dados, tempo gasto em conferência e a necessidade de relatórios.


Como a tecnologia ajuda na gestão de frotas?


Tecnologia entra em três camadas que não são equivalentes:


  • Cartão combustível corporativo: atua no momento do abastecimento. Identifica o veículo ou o motorista e registra a transação (data, local, volume e valor, conforme o produto). O GAO observou que cartões de frota podem capturar dados detalhados de compras, mas que alguns registram o valor da manutenção sem informar o tipo de serviço. Ou seja, o que o cartão registra depende de cada produto.

  • Sistema de controle de frotas: reúne dados de várias fontes (abastecimentos, manutenção, quilômetragem, custos, documentos) calcula indicadores e gera relatórios. É o que o GAO chama de FMIS, e a orientação da GSA é integrá-lo ao financeiro.

  • Telemática e GPS: coletam posição, rotas, tempo de uso e comportamento ao dirigir.

    Segundo o NRELL, apoiam roteirização, alertas de saída de rota, cronogramas de manutenção e treinamento de motoristas (excesso de velocidade, acelerações bruscas).


Um cartão sem análise gera dados sem leitura, e um sistema sem dados confiáveis gera relatórios sem valor. Podem se complementar, mas resolvem problemas diferentes.


Para ver como funciona um cartão combustível para frotas, com seus tipos de benefícios, vale assistir ao vídeo “Cartão combustível para frota: como funciona, tipos e benefícios”, do canal Doutor Multas.


Como começar a fazer a gestão de frotas?


  1. Levante veículos - Placa, modelo, ano, combustível, quilometragem, responsável e situação dos documentos. O NREL lista ainda campos como data de entrada em serviço, utilização e custo de aquisição.

  2. Padronize o registro de abastecimentos - Data, veículo, motorista, odômetro, litros, valor e local, com um responsável definido.

  3. Organize os custos por veículos - Separe combustível, manutenção, pneus, seguro, documentação e depreciação.

  4. Escolha poucos indicadores - Comece com consumo médio, custo por km e tempo parado, com as premissas anotadas.

  5. Planeje a manutenção preventiva - Com base no manual de cada veículo e registre o que foi feito.

  6. Crie uma rotina de análise - Por exemplo, uma reunião mensal para comparar veículos semelhantes e investigar os que destoam da média.

  7. Revise o dimensionamento - Veículos subutilizados podem ser realocados, compartilhados ou desativados.

  8. Reavalie a ferramenta - Quando a planilha consumir muito tempo ou gerar inconsistências, avalie um sistema.


Conclusão


Gestão de frotas é organizar informações, acompanhar custos e analisar dados para decidir melhor sobre os veículos da empresa. Não exige começar por um grande sistema: o ponto de partida é um cadastro completo, um registro padronizado de abastecimentos e manutenção e alguns indicadores acompanhados com regularidade. A partir daí, a empresa avalia quando precisa de ferramentas mais robustas.


Para quem busca apoio no controle de abastecimentos, o Rotta 400 oferece Cartão Combustível e Controle de Frotas para empresas, que podem ser avaliados conforme o perfil de cada operação.





 
 
 

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